
Perseguições e prisões
Na história das lutas sociais, perseguições e prisões são ações cotidianas, às vezes exercidas pelos aparelhos de repressão do Estado ou por setores de interesse privados. Ainda temos outras circunstâncias em que ambos se aproximam e exercem a repressão às mobilizações populares. Em certos momentos ficamos sem compreender o fundamento de tal ação, já que quem é perseguido está pacificamente exercendo um direito constitucional.
Desde de janeiro se consolida nacionalmente o Movimento Passe Livre ( MPL ), pautado nos princípios de autonomia, independência e apartidarismo, porém não anti-partidarismo. Em várias cidades que o transporte coletivo é tratado como mercadoria e manifestações de contrariedade ocorriam, agora organizam-se núcleos do MPL. Joinville-SC é um exemplo, onde a concentração de capital nas mãos de poucos homens e mulheres é forte e a margilização de vários setores da sociedade é exercida desde sua colonização, na metade do século XIX, assim como as lutas sociais em resposta. Desde abril de 2005 surgiu MPL e reuniões semanais vem sendo realizadas, atividades aplicadas nas escolas, universidades, praças públicas e manifestações como no dia nacional de luta pelo passe livre, 26 de outubro.
Em Joinville temos a consolidação das perseguições e prisões aos participantes nas lutas sociais, nesse caso direcionada aos militantes do MPL. As perseguições, por homens contratados pelos empresários do Transporte Coletivo vem desde nossas ações no 26 de outubro. As prisões passaram acontecer quando a notícia do aumento da passagem saíram nos jornais e manifestações e demonstrações foram organizadas. Em janeiro de 2006, quando dois militantes, Hernandez e X. (de 16 anos) foram presos, algemados e encaminhados para delegacia, a militante X logo foi liberada, mas Hernandez passou algumas horas e vai responder judicialmente pelo crime de desobediência.
Agora as lutas se intensificaram com a criação do Fórum em Defesa do transporte Coletivo, composto por várias entidades e movimentos sociais locais. Desde 23 de fevereiro várias manifestações em pontos descentralizados vem acontecendo. No segundo dia (24 de fevereiro) de manifestação no terminal da Tupy, nos encontrávamos com cerca de 100 estudantes e a cada momento o número aumentava, assim como os números de policiais, também era notado a presença de policiais à paisana (P2). As provocações por parte dos policiais com cutucões de cacetetes e palavras grosseiras imperavam em suas ações, deixando o clima tenso. Então resolvemos nos encaminhar ao Terminal da Tupy; havíamos deliberado o fechamento do Terminal por 20 minutos para convidar a população a ocupar as ruas centrais da cidade às 18 horas.
Rapidamente os aparelhos de repressão do Estado, que vêm demonstrando grande força e violência nas manifestações pelo passe livre ou na contra aumento de passagens em Santa Catarina, intensifcaram a agressividade (procure informações no www.midiaindependente.org sobre as ações policiais). Grande números de policiais concentravam-se no Terminal da Tupy com a clara intenção de reprimir a manifestação pacifica. Ao meu lado uma militante do MPL sofria com várias grosserias policiais, então tentei abrir um diálogo com o policial, assim como outros manifestantes, porém, sem qualquer fundamento, o policial agarrou um manifestante. Imediatamente intensifiquei a tentativa de abrir um diálogo e vários policiais surgiram me jogando ao chão da rua Albano Schimiidt com muita truculência. Procurei manter a calma, mas era quase impossível, ainda mais quando olhava ao meu redor e todos estavam com cara de espanto por causa da ação policial. Algemado fui levado ao camburão, logo em seguida outro estudante foi trazido ao veículo. Enquanto isso, ouvíamos gritos como "Abaixo a repressão". Após alguns minutos o camburão se dirigiu a Delegacia de Polícia do bairro, mas no caminho resolveram parar e levar outro estudante, menor de idade, que apenas tirava fotos.
Na Delegacia de Policia permaneci algemado, após uns 30 minutos fui encaminhado para "área de lazer", segundo o comissário de Policia, esse comissário por sinal foi grosseiro desde nossa chegada na Delegacia, em meio toda aquela situação não conseguia entender o porquê. Felizmente ficamos 3 horas detidos, fomos liberados sem nenhuma acusação. Dias depois continuamos a resistir ao aumento da passagem e a visão mercadológica de transporte coletivo. Para nós, as perseguições e prisões têm, na verdade, seus fundamentos evidentes. Como já disse Howard Zinn, historiador estadunidense, "Liberdade de expressão? Tente e a polícia estará lá com seus cavalos, seus cassetetes, suas armas, para parar você."
Autor: Maikon K.